Arquidiocese de Braga -

9 fevereiro 2026

Concerto inaugural do Festival de Órgão de Braga colocou em diálogo música e literatura

Fotografia Francisco de Assis

Francisco de Assis - DM

A música e a palavra cruzaram-se na igreja de São Paulo, em Braga

O Festival Internacional de Órgão de Braga (FIOB) deu início à edição deste ano no sábado à noite, na igreja de S. Pedro e S. Paulo, com um concerto que aliou música, reflexão e literatura, afirmando uma nova abordagem artística do evento. Um diálogo entre homilias do cónego Joaquim Félix Carvalho e a música de Alfredo Teixeira, interpretada pelo Ensemble São Tomás de Aquino.

Apesar da tempestade que se fazia sentir, o templo teve uma considerável assistência, revelando o interesse que o Festival vai conquistando no público bracarense e não só. Além do público anónimo, o concerto inaugural contou com a presença de diversas personalidades locais, nomeadamente o Arcebispo Metropolita, D. José Cordeiro; o seu Bispo Auxiliar D. Nélio Pita que, curiosamente, está na origem da criação do Ensemble São Tomás de Aquino; o reitor do Seminário, cónego Vítor Novais; o Arcebispo Emérito D. Jorge Ortiga; os provedores da Irmandade de Santa Cruz e da Santa Casa da Misericórdia de Braga; a vereadora da Cultura da Câmara de Braga, entre outras, dando solenidade e relevância ao espetáculo.

O concerto inaugural desta 12.ª edição contou com a apresentação das coletâneas de homilias do cónego Joaquim Félix de Carvalho, num momento em que a música e a palavra se cruzaram através da reflexão de Alfredo Teixeira. O Ensemble São Tomás de Aquino interpretou diversos cânticos concebidos para a liturgia, num diálogo constante com o órgão Pradella (2016) do Seminário Conciliar.

Este primeiro momento do festival destacou-se pelo encontro entre a contemporaneidade dos textos, da música e dos instrumentos e a tradição da Palavra, do espaço e da herança salmódica, reforçando o FIOB como um espaço privilegiado de divulgação da cultura contemporânea nacional em diálogo com uma tradição viva.

Em declarações ao Diário do Minho, o cónego Joaquim Félix de Carvalho sublinhou que esta edição do festival marca «uma nova forma de pensar e de organizar o Festival Internacional de Órgão de Braga». Segundo o sacerdote, o objetivo passa por «fazer dialogar o órgão e a cultura organística com outras disciplinas artísticas», como a literatura, a pintura, a arquitetura ou a escultura.

«Tal como o órgão combina vários registos, também o festival se propõe cruzar a música com outras expressões artísticas», explicou, acrescentando que esta abordagem se estenderá ao longo de todo o ano, com iniciativas em várias igrejas da cidade, incluindo momentos mais breves de música de órgão e concertos intercalares.

O cónego destacou ainda a qualidade artística do Ensemble São Tomás de Aquino, permitindo que o festival começasse «muito bem».

Este responsável deu nota da presença de público estrangeiro, sinal de que Braga «está aberta aos outros e promove a cultura a partir do seu património».

Também o diretor artístico do festival, André Bandeira, manifestou grande satisfação em relação ao arranque do FIOB. «Este concerto marca o início de uma programação pensada para o ano inteiro», afirmou, sublinhando que, apesar das condições meteorológicas adversas, o concerto foi um sucesso.

Segundo André Bandeira, mais do que um grande concerto, o objetivo é afirmar uma identidade própria. «Tentamos cruzar a música com a literatura, numa conjugação feliz que será um mote para todo o festival», explicou, acrescentando que o FIOB pretende distinguir-se ao promover o diálogo entre o órgão e diversas áreas artísticas.

Relativamente às obras apresentadas, o diretor artístico destacou os dois volumes de homilias de Joaquim Félix de Carvalho, que incluem QR codes remetendo para obras de arte e musicais, muitas delas compostas por Alfredo Teixeira. «Juntam-se aqui várias dimensões – literatura, música e artes visuais –para criar um momento artístico forte», concluiu.

Com este concerto inaugural, o Festival Internacional de Órgão de Braga reforça a sua aposta numa programação diversificada e inovadora, consolidando-se como um evento cultural de referência na cidade.