Arquidiocese de Braga -
25 março 2026
Via Sacra Universitária leva inquietações dos jovens às ruas de Braga
DM - Luísa Teresa Ribeiro
O tribunal do “like”, a pressão da performance, o embate com a frustração, a empatia suja de quem ajuda para tirar fotos de forma a alimentar “stories” ou o desafio de viver sem máscara num mundo em que algoritmo prefere os filtros foram algumas das reflexões em foco na Via Sacra Universitária.
A iniciativa quaresmal percorreu as ruas de Braga ,segunda-feira à noite, presidida pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, que felicitou a Pastoral Universitária por este «importante gesto de manifestação pública da fé na cidade».
A Via Sacra começou com a igreja de Santa Cruz repleta de jovens e percorreu o centro de Braga até à capela de Guadalupe. O diretor da Pastoral Universitária, padre Miguel Rodrigues, explicou que houve uma «tentativa de adaptar a Via Sacra de Jesus, de há 2000 anos, ao contexto dos jovens universitários».
Este responsável explicou que, para cada estação foi preparada uma encenação, tendo o tema sido centrado «na criação de pontes para a paz», não apenas num mundo marcado pela guerra, mas também a paz interior, no nosso dia-a-dia, nas nossas relações, nos nossos contextos, alertando para as guerras que, «às vezes, suscitamos através das redes sociais e de algum uso mais precipitado que fazemos das mesmas». «As encenações procuram trazer a atualidade para a Via Sacra», vincou.
Por outro lado, referiu que a realização da Via Sacra nas ruas de Braga permite «sentir o pulsar da cidade» que os jovens diariamente percorrem, manifestando a sua fé publicamente.
«Artesãos de justiça e de paz»
O Arcebispo Metropolita de Braga enfatizou que este momento emblemático da programação da Pastoral Universitária faz parte do caminho de Páscoa.
«Felizmente os jovens tomam esta iniciativa e, sem medo, testemunham publicamente a fé na Páscoa de Cristo, porque os últimos passos da Sua vida são passos atuais, porque a encarnação do sofrimento é, sobretudo, um apelo à paz, afirmou D. José Cordeiro.
«Enquanto uns fazem a guerra em tantas partes do mundo, nós, com este gesto, e no tempo favorável que é a Quaresma, queremos testemunhar que somos um povo de paz», declarou.
Em seu entender, a participação neste ato comunitário da Via Sacra interpela os fiéis a serem «artesãos de justiça e de paz» e a contagiarem quem com eles se cruzar no caminho.
D. José destacou que, tal como a Via Sacra percorre as ruas cidade, onde acontece a vida quotidiana, também «a Páscoa é para ser vivida em cada dia, em cada instante».
A iniciativa começou a ser preparada em janeiro, envolvendo 30 elementos, reunindo os centros universitários de Braga e Guimarães, Pastoral Juvenil, Pastoral Vocacional e Seminários, entre outros organismos.
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