Arquidiocese de Braga -

25 junho 2026

Arquidiocese de Braga promoveu encontro de integração de padres angolanos em Portugal

Fotografia CMAB

DM - Francisco de Assis

A Arquidiocese de Braga promoveu, durante a semana passada, um encontro entre sacerdotes da Diocese de Sumbe, em Angola, que estão em Portugal. A oportunidade foi aproveitada para se desenvolverem atividades formativas, mas sobretudo de integração na dinâmica pastoral da Igreja em Portugal.

Em declarações aos meios de comunicação da Arquidiocese de Braga, os sacerdotes, já inseridos em diferentes comunidades paroquiais de quatro dioceses portuguesas, consideram a semana uma iniciativa «extremamente positiva», uma vez que, por um lado, permitiu o encontro entre os padres, que já não se viam há algum tempo; e, por outro, conhecerem melhor a realidade de muitas comunidades paroquiais da Igreja na Arquidiocese de Braga.

A oportunidade para este encontro foi promovida por Sara Poças, coordenadora do Centro Missionário da Arquidiocese de Braga (CMAB), que explicou a importância e o objetivo desta cooperação missionária.

Segundo esta responsável, este encontro foi pensado um pouco no seguimento do trabalho do CMAB, que tem percebido esta dificuldade, que tem sido o acolhimento dos sacerdotes que vêm trabalhar para as dioceses portuguesas.

Uma preocupação partilhada também por D. José Cordeiro, Arcebispo Metropolita de Braga, precisamente por situações passadas. Depois, na sequência das boas relações com a Diocese de Sumbe, diocese natal de D. José Cordeiro, foram enviados sete padres para quatro dioceses de Portugal, nomeadamente Braga, Bragança-Miranda, Leiria-Fátima e Guarda.

Assim, o Arcebispo de Braga acordou com os bispos dessas dioceses, no sentido de fazerem uma Semana de Integração Missionária em Braga, mais prática; e, mais tarde, vão participar no Curso de Integração Missionária que vai ter lugar, em finais de julho, em Fátima.

«O objetivo desta semana de formação foi, através da experiência que os vários sacerdotes já tiveram nas suas dioceses, e aproveitando também essa experiência, eles poderem partilhar as suas dúvidas e refletirem sobre como é que funciona a Igreja em Portugal. E, partindo um pouco da experiência da Diocese de Braga, falar dos desafios, das dificuldades e da alegria que é trabalhar na Igreja em Portugal», explicou.

A “facilitadora” do encontro referiu ainda que se procurou fazer encontros formativos mais práticos, visitando paróquias, umas mais urbanas, outras mais rurais, visitando instituições como a Cáritas Arquidiocesana, instituições sociais, também para conhecerem um pouco da cultura e da história da Igreja em Portugal, que também está muito ligada a Braga, os seminários, bem como alguns dos espaços turístico-religiosos, como o Bom Jesus, o Sameiro, o Tesouro-Museu da Sé, entre outros.

Na Arquidiocese de Braga ficaram os padres António Joaquim Luciano e André Cacumba Maurício. O padre Aspirante Freitas está na Diocese de Bragança-Miranda, Evaristo Kanyungo foi enviado para a Guarda, enquanto os padres Mohamede Cacessa e Benvindo Serafim Chiwale foram colocados na Diocese de Leiria-Fátima.

Arcebispo de Braga enaltece a criação de «laços missionários»

O Arcebispo Metropolita de Braga manifestou «alegria» por acolher estes sacerdotes angolanos, reforçando a importância da criação de laços missionários, além da questão da integração na dinâmica pastoral portuguesa.

«Foi com muita alegria que recebemos os sete padres da Diocese de Sumbe para uma semana de formação e integração. Acolhemos o desafio de D. Firmino David, que é o Bispo de Sumbe, para acolhermos dois padres na Arquidiocese de Braga e foram também dois padres acolhidos na Diocese de Leiria-Fátima, dois na Guarda e um em Bragança-Miranda. Todos eles estiveram aqui e a intenção é percorrer as quatro dioceses para fazerem uma integração pastoral, cultural, espiritual e também poderem participar depois, em Fátima, no Curso de Integração Missionária», começou por explicar D. José Cordeiro, adiantando outros objetivos do encontro.

«Tudo isto para criarmos mais laços de cooperação missionária entre as várias Igrejas e juntos fazermos o melhor para que eles possam fazer uma boa experiência pastoral aqui em Portugal, ao mesmo tempo que realizam alguns estudos, nomeadamente os dois que estão aqui em Braga para a licenciatura em Filosofia e em Teologia.»

Troca de experiências é «mais-valia» para as Igrejas angolana e portuguesa

Os sacerdotes da Diocese de Sumbe, Angola, que na semana passada viveram uma experiência de integração missionária na Arquidiocese de Braga, mostram-se «profundamente gratos» pela oportunidade, sustentando que se sentem melhor preparados para a missão. Por seu lado, responsáveis de algumas instituições e espaços pastorais da Arquidiocese de Braga também elogiaram a iniciativa, considerando que essa troca de experiências representa um enriquecimento mútuo e uma «mais-valia» tanto para as Igrejas portuguesa e angolana.

Entrevistados por Renata Rodrigues, do Departamento Arquidiocesano da Comunicação Social (DACS) da Arquidiocese de Braga, os sete sacerdotes angolanos descreveram as suas experiências, bem como as dificuldades experimentadas à chegada a Portugal.

O padre António Aspirante Freitas, colocado na Diocese de Bragança-Miranda, considerou que o encontro serviu para dar mais ânimo nessa missão. «Este encontro foi muito bom, muito bom, na medida em que nos ajuda e nos ajudará também futuramente a entender um pouquinho mais as regras pastorais da Igreja em Portugal.»

Designado vigário paroquial da Unidade Pastoral de Nossa Senhora do Amparo, em Mascarenhas, em Mirandela, o sacerdote referiu que a experiência está a ser muito boa. «Estou apenas há duas semanas a habitar na casa paroquial, em Mascarenhas, e neste momento estamos a conhecer todas as comunidades paroquiais. Sou vigário de sete paróquias, mais 15 anexas, fazendo um total de 22 aldeias a percorrer.»

Padre António, que está em Barcelos, fala em «gratidão»

O padre António Joaquim Luciano está na Arquidiocese de Braga desde 24 de fevereiro deste ano.

Foi colocado no Arciprestado de Barcelos, mais concretamente nas paróquias de Airó, Moure, Sequiade, Bastuço São João e Bastuço Santo Estêvão.

Recordou algumas dificuldades iniciais, como o frio, e as diferenças, nomeadamente na ação pastoral, que em Angola é feita sobretudo de dia, enquanto em Portugal é essencialmente à noite, por causa do trabalho das pessoas. «O nosso sentimento é de gratidão por tudo quanto já somos e que éramos antes. Quem caminha, quem anda, aprende mais coisas. Estamos muito gratos pela nova experiência que vamos tendo e isto vai fazer-nos crescer cada vez mais», acredita o padre António.

Por sua vez, o padre Benvindo Serafim foi enviado para a Diocese de Leiria-Fátima. Está há pouco mais de dois meses em Portugal. Ainda não tem paróquia, porque o bispo diocesano, D. José Ornelas, entendeu que primeiro era necessário este contacto com a realidade social e pastoral em Portugal. «Assim, durante este período, temos vindo a fazer uma digressão àquelas que são as unidades pastorais que compõem a diocese, para que tenhamos uma visão um pouquinho mais holística da Diocese, permitindo que, assim que chegar o momento de colocarmos a mão à massa, estejamos um pouquinho mais tranquilos», revelou.

Sobre o encontro em Braga, o padre Benvindo classificou-o como «um momento muito bom, proveitoso. Acreditamos que, depois deste encontro, necessariamente não seremos os mesmos, e mesmo aquela visão que nós tínhamos também de como é a missão aqui já está esclarecida, e isso ajudou-nos bastante», referiu.

Ainda sobre a semana em Braga, espera que momentos como estes, com colegas angolanos e portugueses, se proporcionem mais vezes. «Para que tenhamos sempre este andar comum dentro daquele que é o projeto de Igreja Universal.»

Quanto ao padre Mohamede Cacessa, está há sete meses em Portugal, na Diocese da Guarda, mais precisamente em Ria Formosa, na fronteira com Espanha.

Instado a falar sobre a semana de atividades na Arquidiocese de Braga, o presbítero foi esclarecedor. «Foi uma boa experiência porque isso ajudou-nos a entrar no mundo português, na cultura portuguesa e na história do povo português. Foi uma semana de muito aprendizado», disse, enaltecendo especificamente o encontro com os colegas angolanos. «É verdade que somos da mesma diocese, mas muitos de nós estamos há sete meses sem nos encontrarmos, outros há quatro meses. Então, partilhámos esta experiência juntos», congratulou-se.

Encontro é mais-valia

Por sua vez, o padre João Torres, da Unidade Pastoral de Guisande, Priscos e Tadim, com quem os sacerdotes angolanos tiveram contacto, não tem dúvidas da importância desta experiência de integração na cultura e na dimensão social e pastoral da Igreja portuguesa. «É importante esta aculturação dos padres que chegam de África. Precisam de perceber as tradições portuguesas, aquilo que nos distingue, a religiosidade popular de Braga e de Portugal, a devoção mariana, entre outros aspetos que possam facilitar a sua integração.»

Por outro lado, o também responsável pela Pastoral Penitenciária da Arquidiocese de Braga entende que a chegada dos padres angolanos e africanos em geral pode trazer alegria às celebrações, mas também a necessidade de se acalmar e não ter tanta pressa. Destacou ainda o hábito africano da proximidade aos pastores. «Por isso, diria que este encontro e estas trocas de experiência são uma mais-valia para as Igrejas angolana e portuguesa. E estes momentos devem ter continuidade.»

Entre os locais emblemáticos da Arquidiocese de Braga visitados pelos sacerdotes angolanos, destaque para os Santuários do Sameiro e do Bom Jesus, e para paróquias urbanas de Guimarães. O cónego Mário Martins, presidente da Confraria do Bom Jesus, também valorizou este encontro e intercâmbio, precisamente para ajudar a conhecer a realidade portuguesa, quer do ponto de vista social, cultural e religioso. Frisou que o Bom Jesus, local que recebe centenas de milhares de visitantes anualmente, também representa uma proposta de evangelização. «É fundamental conhecerem a nossa realidade pastoral e social para ajudar na sua integração na dinâmica pastoral portuguesa e depois adaptarem-se às suas realidades.»