Arquidiocese de Braga -
28 agosto 2026
Uma viagem por mil anos de história, arte e fé no Tesouro-Museu da Sé de Braga
DACS
Há lugares que guardam muito mais do que objetos antigos. Guardam histórias, memórias e pedaços da identidade de uma cidade. É o caso do Tesouro-Museu da Sé de Braga, uma paragem obrigatória para quem quiser conhecer melhor a história da Catedral e, através dela, perceber também um pouco da própria história de Braga. No dia em que a Sé assinala 937 anos, o Departamento Arquidiocesano da Comunicação Social (DACS) propõe, através da rubrica “Entre Fé e Cultura”, uma visita a este espaço onde mil anos de arte e fé se cruzam.
A visita começa por contar uma história. O atual museu nasceu em 1930, por iniciativa do Cónego Manuel de Aguiar Barreiros, o seu primeiro diretor, e esteve durante décadas instalado na antiga Casa do Cabido, construída no século XVIII por ordem do arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles.
O espaço que hoje conhecemos é, contudo, fruto de uma profunda requalificação. Por ocasião dos 900 anos da Catedral, em 1989, a Câmara Municipal de Braga doou quatro casas ao Cabido, permitindo ampliar e repensar o museu. A reabertura aconteceu a 30 de março de 2007, com a exposição “Raízes da Eternidade, Jesus Cristo, uma Igreja”.
A partir daí, o visitante é convidado a percorrer uma narrativa organizada em capítulos. «Nós tentámos, com esta exposição, contar, no fundo, uma história aos seus visitantes», explica Catarina Saavedra, responsável por acompanhar a visita. No primeiro piso, essa história começa pela vida de Jesus, desde a Anunciação e a Natividade até à Paixão, Morte e aos Mistérios Gloriosos.
Entre tantas peças, há uma que conquista particularmente Catarina Saavedra: a Virgem do Leite. Encomendada pelo arcebispo D. Diogo de Sousa, terá sido executada por volta de 1515 e é uma das obras mais marcantes do museu. «Não existem palavras para descrever a beleza desta Virgem do Leite», confessa.
Durante séculos, a escultura esteve no exterior da Catedral, na rua que tem precisamente o seu nome. Mas os problemas de conservação levaram o Cabido a tomar uma decisão: a peça original foi recolhida para o interior e substituída por uma réplica. Assim, quem passa hoje pela rua de Nossa Senhora do Leite continua a encontrar a imagem, mas a verdadeira escultura quinhentista está protegida no museu.
A viagem continua por outros séculos. No terceiro piso encontra-se aquela que é considerada a peça mais antiga do Tesouro-Museu: um túmulo paleocristão datado dos séculos V ou VI. Apesar dos danos provocados pelo tempo, o mármore branco ainda conserva um detalhe particularmente significativo: o monograma de Cristo. «O que comprova que já no século V e VI o cristianismo tinha fortes raízes aqui em Braga», explica Catarina.
É também neste piso que se percorre a história dos arcebispos de Braga, através das peças que foram deixando na Catedral. Entre elas está o conhecido Cálice de São Geraldo, do século XI, uma peça que já representou Portugal em várias exposições internacionais.
Mas o museu reserva ainda algumas surpresas menos conhecidas. Na Sala do Tesouro encontram-se peças retiradas do túmulo de D. Gonçalo Pereira, arcebispo do início do século XIV, e diversas alfaias litúrgicas que pertenceram à Catedral. Algumas não são apenas peças para contemplar: continuam a ter uma função. “Algumas ainda hoje são utilizadas para algumas cerimónias da Semana Santa de Braga”, revela Catarina Saavedra.
Já na Sala de Paramentaria, o visitante encontra os paramentos de D. Gaspar de Bragança, filho ilegítimo de D. João V e arcebispo de Braga. As peças deixam perceber o gosto exuberante do século XVIII e a personalidade de um homem que era, simultaneamente, arcebispo e príncipe. «Era um homem que gostava de brilho, gostava de peças imponentes», descreve Catarina.
E porque uma visita cultural também pode levar uma pequena lembrança para casa, o percurso termina na loja do museu, especializada em artesanato local, sobretudo ligado à arte sacra e às tradições da região. Braga, Guimarães, Barcelos e Famalicão estão representados através do trabalho de vários artesãos. «As pessoas que entram aqui na loja sentem que é uma loja diferente, é uma loja com identidade», sublinha Catarina. O convite, por isso, é simples: reservar algum tempo e descobrir um dos espaços que melhor ajuda a contar a história de Braga. O Tesouro-Museu pode ser visitado individualmente ou em grupo e há acompanhamento disponível para os diferentes percursos. Até ao final deste ano estão disponíveis três percursos – Catedral, Capelas Tumulares, Coro Alto e Museu – estando previsto, a partir de 2027, um bilhete único que permitirá conhecer a totalidade dos espaços.
Tesouro-Museu da Sé de Braga. Segunda a sexta-feira: 09h30-13h00 e 14h30-18h00. Informações: 253 263 317 | info@se-braga.pt. Marcação de visitas: visitas@se-braga.pt
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