Arquidiocese de Braga -

2 setembro 2026

Papa pede ao clero português que não tenha «medos estéreis» nem «entusiasmos ingénuos»

Fotografia Agência ECCLESIA/PR

DM

O Papa Leão XIV pediu ontem aos sacerdotes portugueses que não se deixem levar por «entusiasmos ingénuos» nem receiem «medos estéreis».

Numa mensagem lida pelo Núncio Apostólico, D. Andrés Carrascosa Coso, na sessão de abertura do XI Simpósio do Clero, o Santo Padre defendeu os valores da pluralidade no seio das comunidades cristãs.

«Nos diferentes encontros e nos diálogos mais informais, sem se abençoarem em entusiasmos ingénuos, nem se acalentarem medos estéreis, evitando-se palavras que humilham ou dividem, multiplique-se a franqueza que ilumina, aquece e abre caminhos», afirma a mensagem do Papa.

A 11.ª edição do Simpósio do Clero de Portugal decorre até ao dia 3 de setembro, no Centro Paulo VI, em Fátima, e tem por tema «Irmãos no sacerdócio e testemunhas do Evangelho».

No texto lido por D. Andrés Carrascosa Coso, o Papa afirma que é importante contar com a «diversidade e até com as tensões» no ambiente sacerdotal, porque «de tudo se serve criativamente o Espírito Santo ao reacender nos corações o zelo pela missão comum».

Leão XIV, que assina a mensagem, invoca para o clero de Portugal «a sabedoria divina para o caminho conjunto», o «entusiasmo para os passos vacilantes» e «o dom da unidade para todos».

O Núncio Apostólico em Portugal, na comunicação que fez aos padres presentes, referiu-se à autenticidade da vida sacerdotal, fundamentada na caridade, e disse que o trabalho conjunto é o segredo para um «sacerdócio sadio».

D. Andrés Carrascosa Coso sublinhou que «nenhum pastor existe sozinho» e que, para acompanhar as pessoas, é necessário «ter um acompanhamento espiritual».

«Ninguém que não é acompanhado sabe acompanhar. Aqueles que deixam de receber orientação correm o risco de já não serem capazes de reconhecer aquilo que acontece no seu interior», afirmou.

O Núncio Apostólico referiu-se ao clericalismo, que «faz sofrer» e é uma «ferida na comunhão», e lembrou que a Igreja precisa de ministros, bispos, presbíteros e diáconos que levem «o coração do Evangelho».

Na intervenção que proferiu na sessão de abertura do Simpósio, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Virgílio Antunes, apontou «desafios específicos» que se colocam ao clero na atualidade, referindo a necessidade de garantir que, em cada comunidade, «não haja qualquer forma de abuso».

«Precisamos de continuar a trabalhar de forma persistente para que as comunidades a que presidimos sejam lugares saudáveis e seguros para todos, onde impera o respeito por cada um e onde não haja qualquer forma de abuso», afirmou D. Virgílio Antunes na sessão de abertura do Simpósio.