Arquidiocese de Braga -
15 setembro 2026
Irmandade de Santa Cruz celebrou padroeira centrada na fé e no cuidado aos mais frágeis
DM - Francisco de Assis
A Irmandade de Santa Cruz, em Braga, celebrou ontem a Exaltação da Santa Cruz. Pode dizer-se que a comemoração da padroeira foi centrada na fé, sobre «importância da Cruz, como elemento central da fé cristã»; mas também no reconhecimento do trabalho daqueles que fazem da vida o cuidado para com os mais frágeis, designadamente os idosos fragilizados e as crianças.
Este ano, a festa teve honras de bispo, nomeadamente D. Nélio Pita, Bispo Auxiliar de Braga, que presidiu à celebração eucarística. O primeiro momento festivo do dia foi a eucaristia da Exaltação da Santa Cruz.
O órgão da igreja de Santa Cruz tocou em todo o seu esplendor, acompanhado pelas magníficas vozes da Escola Arquidiocesana de Música Litúrgica – São Frutuoso, da Arquidiocese de Braga, dando maior solenidade à celebração.
Além da eucaristia, com as palavras de D. Nélio Pita, de que falaremos mais adiante, um dos momentos marcantes ficou guardado para o fim da missa, quando os funcionários com mais de 25 anos de trabalho na instituição, bem como a homenagem a quem se aposentou, foram homenageados. O provedor da Irmandade de Santa Cruz, Fernando Rodrigues, fez questão de agradecer pela dedicação à casa e aos outros, nomeadamente às crianças e aos mais idosos, muitos deles em situação de fragilidade. Aliás, o momento ficou selado para a posteridade com a entrega de diplomas e de um novo cartão de irmão de Santa Cruz. Uma das novidades da festa da Exaltação da Santa Cruz de 2026 está precisamente nos diplomas, com um novo logótipo, onde sobressaem o frontispício do livro dos primeiros Estatutos da Irmandade de Santa Cruz, com honras do desenho de André Soares, mestre do barroco bracarense; mas também as condecorações recebidas pela Irmandade, nomeadamente a Ordem do Infante D. Henrique, atribuída pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa; bem como a Medalha de Mérito Municipal, Grau Ouro, da Câmara Municipal de Braga. De referir que foram entregues três tipos diferentes de diplomas: dos novos irmãos, dos que completaram 25 ou mais anos de instituição, e dos que se aposentaram. O Bispo Auxiliar de Braga ajudou o provedor da Irmandade na entrega das distinções.
A Câmara Municipal de Braga esteve representada no almoço pelo vice-presidente, Altino Bessa, um amigo da instituição. Alguns benfeitores e amigos de Santa Cruz também marcaram presença na festa.
O último momento do dia foi o concerto, da responsabilidade do Departamento de Música da Universidade do Minho.
Provedor deseja que novos irmãos ajudem a transformar fragilidade em esperança
«Hoje agradecemos a quem chega, a quem permanece e a quem deixa nesta Casa uma parte da sua vida. Somos todos parte da mesma história. Que a Santa Cruz nos ensine a transformar o cuidado em proximidade, o serviço em fraternidade e a fragilidade em esperança. A todos, de coração, muito obrigado».
Estas são palavras de Fernando Rodrigues, provedor da Irmandade de Santa Cruz, no final da missa, em que foram acolhidos novos irmãos e foram homenageados colaboradores que estão na instituição há pelo menos 25 anos. Sobre os novos irmãos, que ontem receberam diplomas e cartão de irmão, Fernando Rodrigues espera que ajudem a dar continuidade à missão fundacional da Irmandade. Isto é, cuidar da vida quando ela é precisa e, por outro lado, onde existir uma Cruz, pode sempre nascer um gesto de amor. Sejam muito bem-vindos. «Que a Santa Cruz vos ensine que pertencer é também cuidar: fazer nossos os rostos, os pesos e as esperanças uns dos outros. Porque é assim que uma Irmandade permanece viva: quando uma história recebida se transforma numa história partilhada».
“Dia da família de Santa Cruz”
Para Fernando Rodrigues e para a Irmandade, o Dia da Exaltação da Santa Cruz significa «celebrar o dia do padroeiro, sendo um momento alto de renovação espiritual, união e partilha, funcionando como o “dia da família de Santa Cruz”, reunindo colaboradores, irmãos, utentes e a comunidade envolvente, reforçando o sentimento de pertença».
Ainda assim, o Provedor frisou que a data «não celebra o sofrimento em si, mas recorda o amor supremo de Deus ao oferecer Jesus Cristo para a salvação da humanidade, e a cruz deixa de ser apenas um símbolo de um instrumento de morte e passa a ser vista como um sinal de esperança, ressurreição e triunfo da vida».
Fernando Rodrigues explicou ainda a origem da festa da Exaltação da Santa Cruz e o que representa para a Irmandade de Santa Cruz.
«Para a instituição, este dia carrega significados profundos divididos em quatro pilares: reafirma a história, a missão original e o legado deixado pelos fundadores, que aglutina membros atuais, famílias, visitantes e amigos, fortalecendo os laços de pertença à instituição; inspira os Irmãos e a comunidade a praticar a resiliência, a fé e a dedicação, virtudes associadas à figura de Santa Helena; promove o reencontro, a partilha e o sentimento de pertença entre colaboradores, utentes e parceiros, permitindo recordar e honrar o testemunho dos antecessores, fundadores que edificaram a comunidade ao longo do tempo; e serve como um marco anual para avaliar o impacto social e projetar o futuro da instituição, associando a vertente litúrgica (missas, novenas, concertos e procissões) a momentos de festa, partilha e confraternização popular».
O provedor anunciou que a Mesa Gerente aprovou, por aclamação, a atribuição do título de “Benemérito Gerente” ao engenheiro Jorge Batista, distinção que lhe será entregue oportunamente
D. Nélio alerta para «mordeduras» de serpentes nas redes sociais que ferem e matam irmãos
A eucaristia da festa da Exaltação da Santa Cruz foi presidida pelo Bispo Auxiliar de Braga e concelebrada pelo cónego Vítor Novais. Com base na leitura sobre a serpente que mordia o povo que murmurava contra Deus, D. Nélio Pita alertou para as críticas e fofocas nas redes sociais e comparou-as às «mordeduras» de serpentes que podem ferir ou até matar os seus irmãos.
«Hoje, quando nós murmuramos contra alguém, somos como estas serpentes que mordem os nossos irmãos, que ferem os nossos irmãos, que magoam os outros, ao ponto, às vezes, até de matar o nosso irmão e a nossa irmã», disse, apontando o remédio: «contemplar a verdadeira cruz. No centro está Jesus, Jesus que cura, Jesus que abre os braços para dar a vida por cada um de nós, por amor», recordou D. Nélio.
Na sua homilia, o Bispo Auxiliar de Braga também chamou a atenção para dois perigos sobre a cruz na atualidade: um é a banalização da cruz; e outro é o desconhecimento da cruz.
Depois de abordar a origem da Exaltação da Santa Cruz, o prelado apontou ao que fica: «uma tonalidade lendária que, no fundo, ajuda-nos a compreender que no centro da vida cristã esteve sempre a cruz. A cruz não é um elemento secundário, é um elemento estruturante, essencial, faz parte da nossa identidade», sublinhou.
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