Arquidiocese de Braga -

15 setembro 2026

Santuário Eucarístico de Balazar abre nova etapa centrada na Eucaristia, acolhimento e legado da Beata Alexandrina

Fotografia DACS

DACS

O novo Santuário Eucarístico de Balazar prepara-se para viver, nos dias 10 e 11 de outubro, dois momentos históricos: a trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina e a dedicação da igreja e do altar. As celebrações foram apresentadas esta segunda-feira, em conferência de imprensa realizada em Balazar, junto à casa onde viveu a Beata Alexandrina.

As celebrações principais concentram-se no sábado e no domingo, prolongando-se depois nos dias 12 e 13 de outubro. A cerimónia de sábado será presidida pelo Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, e a celebração de domingo pelo Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, sublinhando a dimensão simultaneamente local e universal deste acontecimento eclesial.

Para D. José Cordeiro, a abertura do Santuário representa muito mais do que a conclusão de uma obra. O Arcebispo destacou a responsabilidade pastoral que começa a partir de 11 de outubro e o desejo de que Balazar se torne um espaço de oração, reconciliação, formação espiritual, hospitalidade e construção da paz.

«Quem chega a Balazar possa encontrar esta porta aberta e também encontrar alguém com tempo para escutar.»

D. José Cordeiro sublinhou que quem procura Balazar deverá encontrar «não apenas um espaço belo», mas «uma comunidade com capacidade de escutar, acompanhar e cuidar», particularmente atenta aos doentes, à solidão e às diferentes formas de fragilidade humana.

O Mons. Manuel Casado Neiva, Reitor do Santuário, explicou que todo o projeto foi pensado a partir da espiritualidade da Beata Alexandrina, tendo como centro a Eucaristia. O edifício procura traduzir arquitetónica e pastoralmente alguns dos elementos essenciais da sua experiência espiritual: a Eucaristia, a Cruz e a relação com Nossa Senhora.

Mais do que criar um novo espaço religioso, o objetivo é desenvolver uma verdadeira proposta pastoral e espiritual.

«Não é construir um edifício, é construir a Igreja viva.»

O Reitor salientou que o Santuário pretende acolher quem chega diariamente a Balazar, garantindo acompanhamento espiritual, celebração do Sacramento da Reconciliação e condições para retiros, encontros e momentos de formação.

Também a Irmã Emília Almeida, postuladora da causa de canonização da Beata Alexandrina, destacou a atualidade de uma mulher cuja existência definiu como «uma vida simples, uma vida dada aos outros». Segundo a religiosa, os peregrinos chegam hoje a Balazar «de todos os lados, de todas as idades», trazendo necessidades materiais e espirituais e encontrando na espiritualidade de Alexandrina um caminho de esperança.

A dimensão internacional da devoção foi igualmente salientada. Ao longo deste ano, Balazar recebeu grupos provenientes de países como França, República Checa, Suíça, Espanha, Coreia, Estados Unidos, Itália, Roménia, Brasil, Polónia, Irlanda, Costa do Marfim e Eslovénia.

Santuário preparado para acolher milhares de peregrinos

A igreja do novo Santuário terá capacidade para cerca de 1.800 pessoas sentadas. Para as celebrações de outubro está também prevista a instalação de quatro ecrãs no exterior, permitindo acompanhar as cerimónias a quem não consiga entrar no edifício. Uma equipa de cerca de 40 jovens e adultos voluntários está a preparar-se para assegurar permanentemente o acolhimento e orientação dos peregrinos durante os quatro dias.

A Junta de Freguesia de Balazar e a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim estão a trabalhar na organização da circulação rodoviária, estacionamento e sinalização, tendo em conta a afluência esperada. A melhoria dos acessos ao Santuário, incluindo a reivindicação de uma ligação mais direta à autoestrada, foi igualmente abordada durante a conferência.

O investimento realizado no complexo foi situado pelo Reitor na ordem dos 14 milhões de euros, tendo os custos sido fortemente condicionados pela pandemia e pelo aumento generalizado dos preços. Está prevista uma segunda fase, que incluirá valências de alojamento e outros espaços de apoio.

A abertura do Santuário marca, assim, não apenas um momento muito esperado pela comunidade de Balazar e pelos devotos da Beata Alexandrina, mas o início de uma nova etapa. Como sintetizou D. José Cordeiro, o objetivo é que o testemunho desta «mulher admirável» possa suscitar «uma renovada motivação de esperança na Igreja e no mundo».

Nota aos órgãos de comunicação social: será brevemente aberto um processo de acreditação para a cobertura das celebrações. A organização disponibilizará informação sobre acessos, posicionamento das equipas, transporte, ligação à Internet e restantes condições de trabalho dos profissionais de comunicação social.