Arquidiocese de Braga -
28 setembro 2026
Papa Leão XIV destaca missão da Igreja e centralidade da liturgia na Catedral de Notre-Dame
DACS com Vatican News
O Papa Leão XIV destacou a missão da Igreja, a centralidade da liturgia e a necessidade de uma presença cristã aberta e missionária durante a celebração das Vésperas com bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados, consagradas e seminaristas, na Catedral de Notre-Dame de Paris, esta sexta-feira, 25 de setembro.
Na homilia, proferida no âmbito da sua viagem apostólica a França, o Papa evocou a reconstrução da Catedral após o incêndio de 2019, sublinhando o significado de Notre-Dame como lugar de encontro entre a história, a cultura, a fé e a esperança. «A participação coletiva na reconstrução e, hoje, o esplendor do resultado, revelam que neste lugar bate o coração de um povo, que estamos no centro vital de uma civilização, que o passado e o futuro se abraçam, que o céu e a terra se encontram», afirmou.
Leão XIV apresentou Notre-Dame como imagem de uma Igreja chamada a acolher e a sair ao encontro do mundo. «Como discípulos de Cristo, sabeis bem que a comunidade cristã não é um refúgio onde retirar-nos para nos protegermos do próprio tempo», afirmou, defendendo uma Igreja que se oferece «como um espaço de acolhimento, respeito, revelação e sentido para todos».
A liturgia ocupou um lugar central na reflexão do Papa. Recordando que a Catedral foi construída para a oração e o louvor a Deus, afirmou que é nela que «a comunidade cristã celebra a forma mais elevada de oração e louvor, renovando na Eucaristia o sacrifício redentor de Cristo». E acrescentou: «A Catedral não é um embrulho de pedra para admirar: ela vive dentro do mistério sagrado que nela é celebrado. Despojada da ação litúrgica, perderia a sua alma.»
Referindo-se à disposição do altar no centro da Catedral, Leão XIV sublinhou que «a comunidade que louva o Senhor encontra-se no coração do edifício». Para o Papa, «a Igreja revela-se aqui tal como é: um organismo vivo, uma comunidade crente que reúne, no louvor, tudo o que a cultura e a Tradição lhe transmitem».
A celebração litúrgica foi também apresentada como lugar de esperança num mundo marcado pelo ruído e pela falta de profundidade. «A nobre simplicidade do canto, da palavra e do gesto litúrgico pode representar, para muitos, uma fresta de esperança, um oásis de paz numa sociedade hiperconectada e barulhenta», afirmou.
Leão XIV pediu aos responsáveis pelas comunidades cristãs que cuidem da dignidade das celebrações. «A vós, que celebrais diariamente a Eucaristia, peço que zeleis para que as celebrações litúrgicas sejam sempre vividas com dignidade e decoro, mesmo nos locais onde se reúnem comunidades pequenas», disse.
Evocando a herança do Concílio Vaticano II, o Papa exortou bispos, sacerdotes, diáconos e pessoas consagradas a «cultivar um amor autêntico pela liturgia e a ser testemunhas e servos da vocação profética, sacerdotal e real de todo o povo de Deus».
Na conclusão da homilia, Leão XIV voltou a apresentar a Catedral como sinal de uma Igreja aberta: «No coração da cidade, a Catedral aberta é o sinal de uma comunidade que louva o Senhor e que vive a hospitalidade não como um gesto ocasional, mas como a própria forma da sua existência». A partir dessa imagem, confiou a missão da Igreja em França à Virgem Maria, pedindo: «Santa Maria, Nossa Senhora de Paris e Mãe da Igreja, rogai pelo povo francês, amparai os seus pastores e caminhai sempre ao nosso lado.»
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