Arquidiocese de Braga -
1 outubro 2026
Livro recupera memória de caminho que Vieira do Minho quer projetar no futuro
DM - Rita Cunha
Obra apresentada ontem em Vieira do Minho lança novo olhar sobre os Caminhos de Santiago
Vieira do Minho quer recuperar a ligação aos antigos Caminhos de Santiago e transformar um percurso com séculos de história num novo recurso para o futuro do concelho. A intenção foi manifestada ontem, na apresentação da 2.ª edição, revista e atualizada, do livro “Variante do Caminho de Torres ao Caminho da Geira e dos Arrieiros – com integração do concelho de Braga no contexto de Santiago e Peregrinações de Rainhas Portuguesas”, da autoria de Alberto Francisco Gonçalves Vilela e Luís Miguel Sampaio.
Segundo o presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho, Filipe Oliveira, a recuperação deste caminho «é uma oportunidade para que possamos recuperar também património que não está a ser aproveitado», afirmou, defendendo que o lançamento desta obra representa «mais um passo» para que este património fique registado e para estreitar laços com Santiago de Compostela.
O autarca sublinhou que os caminhos são testemunhos da passagem de pessoas, das suas histórias, fé e tradições e defendeu uma nova abordagem ao património histórico. «É importante olhar para este património não apenas como memória do passado, mas como um recurso que podemos valorizar no presente e projetar no futuro», afirmou.
Nesse sentido, segundo deu nota, o compromisso do município passa por trabalhar na recuperação e devolução do percurso à utilização. Mais do que limpar ou reabilitar um caminho, salientou, trata-se de «recuperar uma história», preservar património, valorizar a identidade local e criar oportunidades para aproximar cultura, património e turismo. O objetivo é que o percurso deixe de ser apenas uma referência documental e volte a fazer parte da experiência de quem visita e percorre o território.
Também presente na sessão, o Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, também responsável pelo prefácio da obra, destacou a importância da existência de diferentes variantes dos caminhos de peregrinação a Santiago. «Não há só caminhos registados e conhecidos. Há as variantes e as várias possibilidades», afirmou, considerando que o percurso agora estudado é sustentado por uma «tradição viva», presente não apenas nos documentos, mas também nos monumentos e no território.
Para o Prelado, o trabalho desenvolvido pelos autores e pelos vários promotores, com o envolvimento de municípios e Dioceses, cria «uma nova possibilidade de peregrinação» e contribui para consolidar a experiência espiritual e religiosa dos Caminhos de Santiago. A proximidade do Ano Jacobeu, em 2027, acrescenta, segundo D. José Cordeiro, um motivo de «alegria na esperança».
Esta edição da obra resulta de um trabalho de investigação aprofundado. Alberto Vilela explicou que, enquanto o primeiro livro procurou dar uma base científica ao percurso, esta nova edição acrescenta informação e integra Braga e as peregrinações de rainhas portuguesas, nomeadamente Santa Isabel.
Luís Miguel Sampaio salientou, por seu lado, a dimensão interdiocesana do projeto, que envolve os territórios das Dioceses do Porto e de Braga e a ligação a Santiago de Compostela. O percurso começa em Felgueiras, passa por Fafe, Vieira do Minho e São Bento da Porta Aberta e liga-se ao Caminho da Geira e dos Arrieiros, em Covide.
De acordo com o autor, a investigação tem revelado novos indícios históricos e o objetivo é colocar Vieira do Minho na rota dos Caminhos de Santiago, atraindo progressivamente peregrinos nacionais e internacionais.
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