Arquidiocese de Braga -
14 outubro 2026
«Não basta repetir rituais»: Arquidiocese de Braga apela à renovação das confrarias e irmandades
DACS
Com cerca de 350 confrarias e irmandades ativas, a Arquidiocese de Braga quer recuperar o dinamismo destas instituições e envolver mais os seus associados na vida da Igreja.
«Não basta repetir rituais ou promover manifestações exteriores de devoção». Foi com esta advertência que D. Nélio Pita, Bispo Auxiliar de Braga, apresentou, esta quarta-feira, 14 de outubro, o Fórum das Confrarias e Irmandades, que decorrerá no próximo dia 14 de novembro, no Santuário de São Bento da Porta Aberta, em Terras de Bouro.
Numa conferência de imprensa dedicada à apresentação da iniciativa, o Bispo Auxiliar deixou claro que o futuro destas instituições exige mais do que a preservação das tradições. Exige formação, participação dos associados e um compromisso renovado com a missão evangelizadora e social da Igreja.
«Não devemos iludir-nos que é suficiente promover algumas atividades tradicionais para manter vivas as nossas comunidades cristãs», afirmou D. Nélio, citando uma intervenção do Papa Leão XIV sobre a necessidade de investir na formação.
Promovido por iniciativa do Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, o Fórum tem como tema «Para uma Espiritualidade Sinodal – Caminhos de Comunhão, Participação e Corresponsabilidade» e pretende ajudar as confrarias e irmandades a redescobrir a sua identidade e missão.
«Uma confraria pode e deve fazer muito mais do que uma festa»
Um dos alertas mais expressivos da conferência de imprensa foi deixado pelo padre Abel Faria, membro da Comissão Organizadora, que chamou a atenção para a reduzida participação dos associados na vida de muitas destas instituições.
Segundo explicou, existem na Arquidiocese cerca de 1300 confrarias e irmandades, das quais aproximadamente 350 se mantêm ativas. Mesmo entre estas, há instituições com centenas ou milhares de irmãos que enfrentam dificuldades em encontrar pessoas disponíveis para assumir responsabilidades.
O problema, observou, está frequentemente na identificação da confraria com o pequeno grupo que integra os seus órgãos dirigentes, enquanto os restantes associados se limitam ao pagamento das quotas ou à participação em determinados atos religiosos.
O padre Abel Faria defendeu, por isso, a necessidade de recuperar o sentido de pertença e corresponsabilidade, recordando que todos os irmãos devem participar ativamente na vida das suas instituições.
Também alertou para o risco de confrarias com séculos de história se transformarem, na prática, em simples comissões de festas.
«Uma confraria pode e deve fazer muito mais do que uma festa», sublinhou.
Como exemplos concretos, apontou o contributo que as confrarias do Santíssimo Sacramento podem dar à dinamização da adoração eucarística e à catequese, ou o papel das confrarias de Nossa Senhora do Rosário na promoção de momentos de oração e formação cristã.
Uma missão espiritual, mas também social
A dimensão social destas instituições esteve igualmente em destaque na conferência de imprensa.
Varico Pereira, também membro da organização, recordou que a Confraria do Bom Jesus do Monte manteve, durante décadas, um lactário de apoio às mães e às crianças. Embora essa resposta tenha deixado de ser necessária, a instituição encontrou novas formas de intervenção social, nomeadamente através de um projeto de partilha que apoia outras entidades.
O exemplo serviu para demonstrar que a fidelidade à história das confrarias não significa repetir indefinidamente as mesmas atividades, mas encontrar respostas adequadas às necessidades de cada tempo.
O padre Abel Faria recordou ainda que a assistência aos irmãos mais necessitados continua prevista nos estatutos de diversas confrarias, reforçando a ideia de que estas instituições podem constituir importantes instrumentos pastorais, missionários e sociais.
Um dia para pensar o futuro das confrarias
O Fórum terá início às 9h30, com o acolhimento dos participantes na cripta do Santuário de São Bento da Porta Aberta. A abertura oficial, às 10h00, estará a cargo do Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro.
A conferência inaugural será proferida por D. Antonino Dias, Bispo Emérito de Portalegre-Castelo Branco, sobre o tema «As Confrarias e as Irmandades como laboratórios de vida cristã, escolas de comunhão e de sinodalidade».
O programa da manhã prossegue com intervenções de Jorge Bacelar Gouveia, sobre corresponsabilidade e gestão, e de Felisbela Lopes, professora da Universidade do Minho, sobre a transmissão de um legado e a importância da comunicação.
Durante a tarde, uma mesa-redonda reunirá Isabel Estrada Carvalhais, o padre Vítor Ramos e Catarina Vieira da Silva para refletir sobre cultura e fé, liturgia, história e direito, e a tradição da caridade nas confrarias.
O encontro terminará, às 17h00, com uma celebração eucarística presidida por D. José Cordeiro.
Inscrições abertas a todos
Embora especialmente dirigido aos responsáveis e associados das confrarias e irmandades, o Fórum está aberto a todas as pessoas interessadas em conhecer melhor estas instituições e contribuir para a reflexão sobre o seu futuro.
A participação exige inscrição prévia, com um custo de 25 euros, que inclui o almoço.
As inscrições podem ser efetuadas através do formulário disponibilizado nas redes sociais da Arquidiocese de Braga e na página de Facebook do Fórum das Irmandades e Confrarias. O cartaz da iniciativa contém também um código QR que permite aceder diretamente ao formulário.
A organização apela aos responsáveis das instituições para que mobilizem os seus associados, sublinhando que este encontro pretende ser o primeiro de um percurso mais amplo de reflexão, formação e renovação.
Mais do que preservar uma história secular, o objetivo é ajudar as confrarias e irmandades a reconhecer que continuam a ter uma missão a cumprir na Igreja e na sociedade de hoje.
Download de Ficheiros
Cartaz
Conferência Fórum Confrarias Irmandades S. Bento D. Nélio Sinodlidade Conferência Fórum Confrarias Irmandades S. Bento D. Nélio Sinodlidade
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